27 de dezembro de 2013

Resenha: O nome do vento

Autor:Patrick Rothfuss.

Editora Arqueiro

Conheçam Kvothe, o arcanista, o sem-sangue, o seis-cordas, o Matador do Rei...


No último meio século, ficamos acostumados a sempre entrar em novos mundos, reinos e conhecer novos personagens, costumes e as histórias nelas. Muitos livros de fantasia fantástica tiveram influência de J. R. R. Tolkien, que criou praticamente as bases usadas em muitos desses mundos de fantasias, especialmente aqueles que exploram reminiscências de mundos medievais. Décadas depois de o Hobbit e Senhor dos Anéis, nos deparamos com A Canção de Gelo e Fogo, de George RR Martin, que já há quase duas décadas e mais de 3500 páginas, depois nos fez mergulhar além dos mares estreitos e fumegantes para as intrigas, segredos, ações, ponto de vista de vários personagens jogando e sendo afetados pela movimentação de peças dos outros personagens.

Os dois autores estão com seus livros no mundo do cinema ou séries, com grande sucesso e repercussão mundial. O livro que vou apresentar agora, ainda não está, nem tão pouco alcançou o status das obras citadas acima, mas lhes garanto, está nesse caminho.

O que o leitor deve fazer ao ler as primeiras páginas e capítulos da história do Edena Ruh, Kvothe filho de Arliden, o Bardo, é se se deixar levar pelas descobertas, mudanças, sem se apressar por detalhes e entender o que é um latoeiro ou mesmo uma simpatia, querer mapas mais específicos sobre os quatro cantos do mundo. Não se preocupe, a cada capítulo, você irá saber e de algum modo, parecerá que já sabe, faz
 muito tempo. 


Se deixe surpreender a cada página, perceber que detalhes e informações que aparentemente tão pouco importantes no início são amarrados dezenas de capítulos depois, pois é como nossas próprias vidas, com os anos, conectamos a situações e aspectos do passado, o próprio Kvothe percebe e aprende isso.

Vivenciar a história do Kvothe, um grande músico, arcanista e herói no primeiro livro é perceber no início uma criança curiosa por tudo, ávida de conhecer, entender, tocar, fazer. Uma inocência que nos faz esperar que continue assim, com esse cenário, com a vida dos Edena Ruh (grupos nômades, geralmente formandos trupes para apresentações teatrais, circenses e musicais) e observam o menino que queria saber o nome do vento, com seu primeiro Professor, Abenthy, um arcanista que a trupe conhece e passa a viajar com eles por um tempo, que é bem aproveitado pelo menino Kvothe. Quase como um conto infantil, quase, mas não é. O personagem cresce, não no ritmo que ele deseja, mas tem que crescer, e acompanhamos ele.

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Autor de imagens: Marc Simonetti


"Meu nome é Kvothe, com pronúncias semelhantes à de "Kuouth". Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. Já tive mais nomes do que alguém tem o direito de possuir". (Cap. 7, Sobre os primórdios e os nomes das coisas).

Quando menos esperarmos, temos uma mudança na vida do menino, que precisará sair de um sonho infantil e sobreviver, ou mesmo reaprender a viver. Esse é um dos momentos que percebemos que muitos pontos do livro, até pouco tempo não são tão importantes para o clímax e futuro da história, que se revelam ser mais do que isso. Agora o "interlúdio" de busca pela sobrevivência de Kvohte, e depois seu período na Universidade e tudo mais, será conduzido por uma busca. Por um mito, mas que ele sabe que não é, pois ele viu, embora ele mesmo se questione se foi verdade.

Na Universidade temos umas das melhores partes do livro, ao menos para mim, tão mencionada durante o livro, que criei uma grande expectativa, e não fiquei decepcionado. Aos fãs de Harry Porter, sinto muito, embora haja pontos que vocês possam identificar a Escola de Bruxaria de Hogwarts, acredite esse não é o primeiro livro que trás esse tipo de vida escolar, e a Universidade é bem diferente de muito que já lemos. Quem não vai ficar curioso em conhecer o Arquivo, com seus quase três quatros de um milhão de livros? Quem não vai ficar achando engraçado o momento das avaliações, com os alunos trocando e vendendo o lugar na fila? Quem não vai ficar encantando com a beleza de Feila? (sim, para mim ela é mais linda e interessante que Denna, uma personagem que nosso protagonista se apaixona de uma forma que mesmo que nos descreva, não saberíamos, não entenderíamos ela bem, concordo, pois foi ele quem se apaixonou, mas eu me apaixonei por Feila), Quem não desejaria ir a Eólica, ver Kvothe tocar seu alaúde e cantar "Latoeiro Curtumeiro" ou alguma canção zombando de seu desafeto Ambrose, filho e herdeiro de um importante nobre? Ou estar nas aulas de Iátrica, Artificiaria, ou mesmo Matemática Improvável com o Nomeador-Mor, Mestre Elodin? Ou o primeiro momento erótico juvenil de Kvothe (não vou dizer com que personagem foi, mas acho que vocês advinham antes de ler). Descobrirá que simpatias não são magias, e sim uma ciência, com fundamentos na química e física.

"Eu tinha ido a Universidade por muitas razões, mas essa era a essência de tudo. O Arquivo continhas respostas, e eu tinhas muitas perguntas (...)." (Cap. 36, Menos Talentos).

Quer saber, leia, pois ali descobrirá o primeiro momento de heroísmo (e salvando uma donzela) e sua obsessão pelo Chandriano.

Se pensa que é um livro infanto-juvenil, se engana, embora não deixe de ser recomendado para qualquer idade e leitor interessado.

E também não pense que tudo dá certo para o personagem, embora seja muito inteligente (o que é logo percebido no início do livro), antes de tudo, ele é humano, erra, e sente as consequências disso.

Sugiro ler algumas coisas antes, ao final do livro, há algumas explicações sobre como é calendário (meses, dias), o sistema monetário, etc.

É importante saber que o livro é divido em duas narrativas, de início na terceira pessoa, o momento presente. E depois na primeira pessoa, quando ele começa a contar sua história para o Cronista, Devan Lochees, que acordou em contar-lhe a história em três dias, ou seja, cada livro compõe um desses dias.

"Para que a história seja algo parecido com o livro de minhas proezas, devemos começar do princípio. Do cerne de quem realmente sou. Para isso, você precisa se lembrar de que, antes de ser outra coisa, fui um dos Edena Ruh." (Cap. 8, Ladrões, hereges e prostitutas).

Bem, já fiz minha simpatia, elevei meu Alar para fazer uma conexão entre você e o livro "O Nome do Vento - A Crônica do Matador do Rei: O Primeiro Dia", de Patrick Rothfuss, publicado pela Editora Arqueiro aqui no Brasil.

Éder Leão
Colaborador Literário do TecerGirassóis

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