31 de outubro de 2013

TecerIlustra II- Anielizabeth: Sonho encantado de contar com imagens.




Seguindo nossa trajetória do contar o processo  criativo de ilustração, Vamos tecendo exclusivamente, as inspirações de Anielizabeth, seus estudos, técnicas.
O encanto das imagens, aprecie e conheça mais sobre a profissão de autor de imagens.
Anielizabeth, como vocês.

3. Ao iniciar sua trajetória de autoria de imagens, teve inspirações de algum ilustrador específico?

Lembro até hoje do dia em que li "Seca", do André Neves e "Jonas e a Baleia", da Zélia Gattai, ilustrado pelo Roger Mello. Neste dia eu descobri que queria ser Ilustradora. Queria poder contar histórias com as minhas imagens. Não queria ser atriz, figurinista, estilista, nem professora, tudo o que eu havia estudado para ser até então, ficou esquecido. Sou uma contadora de histórias através das imagens que crio. Hoje, minha busca, minha pesquisa é por artistas plásticos. Alguns são muito importantes para a minha formação: Otto Dix, Degas, Chagal e Portinari são meus preferidos, os que mexem com minhas entranhas. 

4. Você diz que em processo criativo parte sempre de um estudo cuidadoso da palavra. Como vai sendo desenvolvido a definição da técnica e construção dos personagens neste processo imagético?

Cada livro traz um processo diferente. A técnica escolhida vai trabalhar a serviço da  história a ser contada. E não o contrário. Bambalalão, o primeiro livro que ilustrei, foi feito com colagens de tecidos e aviamentos usados por minha mãe para costurar para mim e minhas irmãs. A questão das memórias afetivas era muito forte no texto e no clima que a escritora deu. Então, procurei traduzir isso através das imagens. Outro livro, que fala da poluição dos oceanos e da destruição da vida marinha foi todo feito com tintas naturais, tentando total fidelidade ao discurso de não consumo e de respeito ao planeta que o texto propôs.


5. Tantos títulos ilustrados, "Bambalalão, senhor capitão", "De Folha em Flor", " Deu tatu no meu quintal"e  "Noites de Chuva"... conta-nos como é o diálogo quando você está criando para um texto escrito de um autor amigo, conhecido?

A criação neste caso se torna uma parceria muito rica, pois nestes casos acima citados, já conhecíamos intimamente o jeito de criar uma da outra. E aí, sabíamos mesmo até onde a outra poderia ir, no que estava pensando quando se optou por este ou aquele caminho. Conhecíamos os bastidores do imaginário uma da outra e isto fez com que qualquer barreira para a construção do livro fosse vencida. Existia liberdade em opinar, um olho no olho de carinho, sabe? E esta "opinião" sempre ultrapassou qualquer banalidade, tipo "queria que o vestido da personagem tivesse uma sobrinha a mais". Quando falo desse opinar, falo da liberdade que nestes casos acima tivemos de quebrar barreiras criativas, mexer com fragilidades e romper fronteiras da criação uma da outra. Estes projetos que você citou foram de muito crescimento. Sobretudo porque levaram anos sendo realizados. Então, no caso da ilustração mesmo, as meninas puderam acompanhar a evolução do meu traço, da minha pesquisa e isso foi influenciando também a escrita delas. Foram projetos lindíssimos porque não teve essa do texto escrito ter nascido antes do texto imagético. Ambos foram gerados praticamente juntos. Mas, independente de criar ilustrações para textos de amigas, devo dizer que sempre que posso, procuro me aproximar ao máximo do universo de criação do escritor que estou ilustrando. Acho importante não perder de vista que esta parceria existe, independente de nos conhecermos ou não, mesmo que seja para ser o absoluto contraponto. Talvez porque essa coisa do processo de criação seja algo que me mobilize muito. Mas, desse meu cuidado, já fiz maravilhosas amizades, viu?



6. Histórias do fundo do mar, um livro com temática ecológica. Foi um desafio? As técnicas utilizadas, você foi ao longo do projeto mudando a proposição estética da sua obra? O que pensou inicialmente para a obra foi seguido ao findar, comente-nos sobre os desafios deste projeto?

Meu maior desejo era que minha participação neste projeto ajudasse a mexer com a consciência do leitor. Muitas foram as pesquisas até chegar às imagens deste livro: Desde Vik Muniz e seu trabalho de composição a partir de materiais alternativos, até optar pela simplicidade das formas inspiradas nas pinturas rupestres, passando pela paixão e arrebatamento visual que as mandalas de Beatriz Milhazes me causam, foram muitos meses de reflexões e estudos. Além disso, para compor as ilustrações, optei por tintas produzidas artesanalmente por mim, à base de ovo e pigmentos naturais ou restos de materiais que iriam para o lixo. O mais legal de ter feito esse livro é que pude observar meu próprio comportamento como consumidora e cidadã. Penso que haja muita polêmica em torno do conceito de sustentabilidade. O tal comportamento verde hoje virou moda e já abastece uma verdadeira indústria de consumo e a minha primeira e grande preocupação ao embarcar neste projeto foi não permitir que a minha obra servisse a esse modismo. Mas, não foi fácil não. A primeira ideia dele surgiu na Feira de Bologna de 2011. Esse projeto viajou comigo para Sàrmede, para diversas galerias de arte de Veneza, Paris... Foram muitos os caminhos pensados, um milhão de estudos e pesquisas sobre formas, texturas, a própria história da narrativa visual... Catei lixo, cataloguei, trabalhei com eles tentando esculpir imagens, vi o quanto somos capazes de consumir sem nem sentir, sabe? Em determinado momento, resolvi jogar o lixo fora, pois era algo que estava me deprimindo por não conseguir usá-lo e ser fiel com o que eu acredito com relação ao prazer estético. Descobri verdades vergonhosas quanto a forma como o brasileiro ainda lida com o seu lixo. Foi um processo de inquietação, de muitas angústias, de observação do comportamento infantil frente ao traço simples e as estilizações... Demorei mais de um ano para compor as imagens deste livro e mais um ano inteiro até afinar o projeto gráfico junto a designer Patrícia Mello e a equipe da Zit. 
Quer conhecer Histórias de Terror no Fundo do Mar, acesse:


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#Pesquise no site da Zit: www.ziteditora.com.br

Os prêmios serão:

1.A primeira pessoa que postar: #Ganha.O quê? O livro descoberto na pesquisa.

2. Um kit da Zit Editora.

Vamos lá!!!!
Quem participar primeiro , #Ganha.

2 comentários:

  1. Um prazer novamente aqui conhecendo mais um pouco dessa arte maravilhosa... "Beijo de Bicho" ´

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  2. Parabéns pelo sucesso e outro livro com ilustrações da Ani elizabeth é Que dia é Hoje da escritora Sandra Pina.
    http://splashurl.com/ley2ych

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