21 de julho de 2010

Música-Livro: Integração perfeita na produção literária.



Numa bela incursão pela internet, deparei-me com o e-book de Marcelino Freire, cujo título : É Só Isso Meu Baião" ( clique no título e baixe aqui), numa inspiração e desafio de construir narrativas a partir da música.
Essa beleza indiscutível de encontro, parceria, integração entre as artes, música e literatura são a expansão das possibilidades de produzir, reger a vida por meio da cultura. O livro de Marcelino, como citado na capa do exemplar digital, tem como orientação musical a parceria do saxofonista norte-americano Stan Getz com o mestre da bossa nova João Gilberto, que são o pano de fundo do livro.
Então, nessa ampliação do acesso à cultura, o espaço democrático da Editora Mojo Books, editora online, possui um acervo que promove em sua proposta, o seguinte questionamento: Se música fosse literatura, que história contaria?

E você, que música escolheria e contaria?

O acervo contém, entre outros, um e-book inspirado numa das bandas mais conhecidas Pernambucanas, o Cordel do Fogo Encantado. A banda encerrou suas atividades, mas podemos revisitar: O Palhaço do circo sem futuro, escrito por Eduardo Costa Madeira. 


LEIA UM TRECHO:

Mas aquela canção poética fez com que ele se lembrasse de toda sua vida, tudo que abandonara pra estar na posição que estava hoje – tolice. O devaneio nostálgico desintegrou-se totalmente quando ele percebeu que aquilo era real. Virou-se. De onde vinha aquela suave melodia? Nem o alto som das buzinas o fez dispersar daquele som, de tão compenetrado que estava. Foi seguindo a melodia, aquilo parecia tão mágico. Atravessou a rua sem dar a mínima pros berros e ofensas dos motoristas obrigados a frear bruscamente. O som ia ficando mais alto. As pessoas ao redor pareciam estranhar a fisionomia daquele velho. Um semblante ainda triste abafava uma alegria iminente que ainda existia e agora fora despertada por aquela canção. Avistou um jovem rapaz, ali na calçada. Olhos vagos, pele morena e cabelos bagunçados e negros como a noite que consumia os homens. Seus lábios entoavam poesia, seus braços representavam verso e prosa com perfeita sincronia.

2 comentários:

  1. Eu cantaria "O Tapeceiro" de Stenio Marcius. Aliás, provavelmente cantarei e contarei essa história dia 14. Vc vai ver. Sds, Ivan

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  2. Gente, re-visitar Papativa do Assaré é sem dúvda uma experiencia maravilhosa, que tal cantarmos "Vaca estrela boi Fubá"? Na obra desta Pérola Nordestina musica e literatura caminham juntos, que coisa, Patativa não tem uma "voz de veludo", tão pouco uma "ortografia perfeita" e é sem dúvida um dos melhores do mundo.

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